Aposentados

24.8.05

Mulher


O título que parece óbvio, é o mais complexo e sem dúvida o mais belo de todos que por aqui passaram. E o texto é curto, obedecendo a máxima que diz que uma imagem vale mais que mil palavras.

Ela como geradora da vida beira o divino, e se fosse por isso já bastava. Tanto que à frente nem menciono mais isso.

Curioso perceber como a nossa sociedade gira em torno delas. Elas no trono como rainhas. Por mais que atitudes patriarco-machistas existam e sejam expostas e combatidas, ao fundo percebemos uma realidade social esculpida por elas. A professora, a avó, a patroa, a parteira, "a outra" - pros que a tiveram, a chamada mãe de leite ou mãe preta, a madrinha, "aquela" atriz que fazia o moleque ir ao cinema repetidas vezes, "aquela" vizinha, ou qualquer uma que fizesse esse mesmo moleque querer ser alguns anos mais velho. Poderia dizer milhões de exemplos...

Só alguém muito desatento (e desprovido de qualquer percepção mundana), não percebe que tudo no mundo gira em torno da realização suas vontades e do suprimento de suas necessidades. É espantoso mas é real. Quer poder maior?

Mas tem também as que não sabem se portar como tais, que não entendem essa bela lógica que as cercam e as favorecem desde o nascimento, as que não honram as saias. Mas dessas, nenhuma linha mais se faz necessária.

Fico por aqui.

Abraço a todos.

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22.7.05

Nico



Era apenas mais uma noite. E lá estávamos, como sempre, prestigiando a breja do bonito bar de Barbudo.

Tudo ia bem, com o tradicional vetê de alguma partida de futebol histórica passando naquela charmosa Telefunken, quando começou a ficar ainda melhor.

Um senhor de barba grisalha, com uma jaqueta de couro bem desgastada e uma bolsa nos abordou delicadamente. Perguntou-nos com um sotaque estranho se poderia nos oferecer um presente. Pedimos que não desperdiçasse seu tempo nem seu material conosco, uma vez que não tínhamos dinheiro para pagar pelo fruto do seu trabalho (queríamos poupar para outra rodada da loira).

Ele insistiu e sacou um fio de solda da bolsa. Com uma pequena peça metálica desandou a moldar o tal fio. Surpreendentemente, ao final do seu trabalho, tinha feito uma linda flor. Rica em detalhes, com uma delicadeza impressionante.

Tão logo concluiu o trabalho, deu a bela rosa a uma de nossas amigas à mesa e sacou uma garrafinha do colete. Tomou um senhor gole da cachaça e nos ofereceu. Diante de tanta gentileza, pedimos mais uma cerva e outro copo.

Assim que enchemos todos os copos para um brinde em homenagem ao nosso mais novo amigo, perguntamos seu nome. Ele respondeu "Nico" e tomou toda a cerveja do copo num só gole. Como não poderia deixar de ser, todos da mesa fizemos o mesmo.

Nunca mais o vimos, mas a saudade daquele humilde e nobre senhor ficou em nossos corações.

Prazer em conhecê-lo, Nico.

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24.6.05

Uma amiga minha acabou de falecer.
Tô triste demais.

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20.6.05

Poxa, Vida...



Acabei de ver uma reportagem sobre um senhor que foi morto na favela Vila Cruzeiro, aqui no Rio. Era um tiroteio entre traficantes e policiais. Adivinhem o desfecho? Sobrou uma bala de fuzil para aquele pobre senhor.

Sempre que assisto a cenas desse tipo, as lembranças do meu querido avô Querido vêm com a rapidez de uma flecha, direto na cabeça e no coração.

Não, ele não morreu por causa de bala perdida. Naquela época essa desgraça ainda não era "moda". Foi o coração dele que rateou.

Uma vida boêmia, de excessos e intensidade ímpares foi sentenciada por essa que eu especulo que seja uma das melhores maneiras de se despedir do nosso mundinho.

Mas o que eu não contava é que EU não teria a chance de me despedir dele.

Ô, Querido, a saudade de ti ainda aperta tanto o meu coração...

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14.6.05

Dois bicudos



Continuando o que comecei em Smells Like Teen Spirit:


Alguns dias depois, estávamos ali na pracinha, pertinho da faculdade, eu, ela e 2 amigos. Resolvemos comer uma pizza.

Sentamos, pedimos os devidos chopes e percebemos, nós dois, que nossas mãos já não mais nos obedeciam.

As duas, camufladas pela mesa à qual estávamos sentados, pareciam ter personalidade própria. Compartilhavam comportamento condizente com casais capciosos. Danadas que só elas!

Enquanto todos conversávamos, fomos, eu e ela, mergulhando em uma dimensão paralela. Eu conseguia manter o papo como se nada estivesse acontecendo (ao menos eu achava que conseguia). Ela já tinha-se entregado a apenas uma tarefa: não deixar estampado em sua face o prazer que sentia.

Era demais ver o jeito que ela mordia levemente o lábio inferior, olhando pro nada, buscando algo que naquele momento significava tudo.

Quando o garçom se aproximou, o comando foi prontamente enviado à complexa musculatura da minha mão esquerda e, com um carinhoso "até logo", nos despedimos.

Não fazem mais pizzas de 4 queijos como antigamente...


Obs: O desfecho desta historinha vem no meu próximo post, pessoal. Prometo que será o último! Forte abraço.

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11.6.05

Foi 1 x 3 o quê?

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Olá amigos.

Acabo de me recuperar de uma forte gripe. Ela ignorou solenementeo fato de eu tomar a vacina oferecida pelo nosso Ministério da Saúde.Tudo bem, acontece. Já estou bem agora.

Vou aproveitar o excelente nível de qualidade das nossas visitações pra me permitir fazer um desabafo hoje.

Enumerei alguns fatos recorrentes na mídia brasileira nas, sei lá, duas últimas semanas, e às vezes custa crer que agente as lê, uma a uma em jornais e revistas e não nos damos conta de como é desgastante receber essa enxurrada de notícias.
Agente acaba se acostumando com essas pancadas, as recebemos e nem dá tempo para refletir sobre os motivos e/ou suas conseqüências...
Mas essa semana elas chegaram, pra mim, de forma extremamente violenta, além do normal, não sei explicar o que houve e esse desabafo fez-se então necessário. Algumas delas: Edinho & Naldinho; Cpi dos Correios; Roberto Jefferson & Mensalão; Professores Pedófilos; Crise Boliviana; etc. Tem também as que não viram notícias, só engrossam os números, como o assalto que meu compadre Walter sofreu dias atrás.

Os anos chegam e nós sempre achamos que estamos calejados, que o coração está duro o suficiente, preparado pro que der e vier, mas de repente agente cansa e a capacidade de se indignar vem à tona.
Ainda bem que vem.

Abraço a todos.

PS: Prossiga amigo, assim como nossos companheiros, eu também aguardo o desfecho da história.

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5.6.05

Smells like teen spirit



Tudo entre nós sempre aconteceu de maneira intensa. O início do nosso contato entre os amigos da faculdade, as idas para o ponto de ônibus, os papos intermináveis, os olhos se cruzando.

Chegou num ponto que os mais próximos perguntavam: E aí, por que não rola nada entre vocês? Vocês têm tudo a ver!

E tínhamos mesmo.

Bom, a tão esperada festa de recepção aos calouros finalmente havia chegado. Aquele dia voou! E lá estávamos, naquele bendito salão, com os amigos, as músicas e a baía de Guanabara servindo de espelho pra Lua dar sua tradicional (e abençoada) espiadinha.

Foi em um determinado momento da festa que eu resolvi ir até a janela. Estava passando por um dilema complicadíssimo: dar vazão a toda aquela vontade de beijá-la e falar tudo o que queria ou não arriscar nossa amizade para, quem sabe, ouvir que eu estaria "confundindo as coisas"?

Situação difícil, amigas(os)!!

Como num passe de mágica, ela surgiu ao meu lado, se apoiando no parapeito como eu mesmo estava fazendo. Olhei pro lado, quase cedi, mas agüentei. "O que ela estava fazendo logo ali???", pensei.

Ela: O que houve, Joca?
Eu: Nada, não. Tô aqui pensando na vida...
Ela: Ah, eu te conheço. Tá preocupado com alguma coisa. Agora quero que me diga o que é! (com um dos sorrisos mais lindos que já vi em toda minha vida).
Eu: Bom, então vamos lá. Eu tô extremamente atraído por você em todos os sentidos e tenho medo de estar confundindo as coisas. Vou me sentir um lixo se for isso mesmo, sabe? Eu queria poder te beijar agora. Tô sentindo o teu cheirinho, vendo os teus olhos, tua boca, tudo tão de perto...é difícil demais resistir e não tentar...
Ela: Então por que não tenta?






Que beijo!

Continua...

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